14 de out de 2016

Resenha/Livro: O Nome do Vento


Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje trago a resenha de um livro que eu havia esperado muito para ler e para resenhar para vocês: O Nome do Vento.
É um livro que, pelo que pude observar nas redes sociais, divide bastante as opiniões. Entretanto, de qualquer forma, quando comprei, comprei criando expectativas baseadas nas resenhas que elogiavam imensamente a obra. E posso garantir a vocês que a minha resenha vai seguir esse padrão.
Para saber mais sobre o que achei do livro, clique em continue lendo.






Título Original: The Name of the Wind
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Ano: 2007 (EUA); 2009 (BR)
Páginas: 662 (EUA); 656 (BR)






Sinopse
Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Opinião
O Nome do Vento é um daqueles livros que muito provavelmente você não entenderá nada no início. Ficar perdido – inicialmente – é algo normal quando nos referimos a esse livro, e isso se dá ao fato de que Patrick Rothfuss, autor da obra, não sente nenhuma necessidade de te situar na história antes de desenvolvê-la. De início, você não terá conhecimento sobre o que aconteceu antes ou o que está acontecendo no presente. Você não saberá exatamente como aquele mundo funciona, quais os elementos presentes nele ou ainda sobre o que tudo aquilo que está sendo narrado se trata. Não, ele não sente necessidade de te situar na história, pois ele não precisa disso. A história será descrita e desenvolvida como um leque. No começo você não o vê como ele realmente é, não entende muito bem o que pode ser aquilo; mas quando ele se abre, é incrível, é maravilhoso. O Nome do Vento é como um leque... surpreendente.
Fui com as expectativas em alta ler esse livro. Houveram, ao mesmo tempo que algumas avaliações se referindo a ele como ruim, também muitas avaliações ótimas, e eu esperava que minha experiência fosse como a dessas pessoas por último citadas. Felizmente o que eu tanto queria se concretizou, e não me decepcionei em nada.
É verdade que demorei meses para terminar de ler, mas ao contrário do que aconteceu comigo em outras leituras, o motivo dessa demora não é nem de perto culpa da história ou do livro em si. Muitas coisas aconteceram na minha vida enquanto eu tentava ler esse livro, que com certeza podemos considerar enorme, e infelizmente sinto que não consegui desfrutá-lo tão perfeitamente quanto eu queria ter desfrutado. É preciso ter calma e paciência para lê-lo, é verdade; mas, mais do que isso, também é preciso reservar um tempo só para ele, sem que sua cabeça esteja ocupada com outras coisas.
Mas não se enganem! Não quero dizer que esse fator fez com que minha experiência com a leitura tenha sido falha ou vaga. Me diverti e aproveitei de sua história o máximo que pude, e isso foi suficiente para considerá-lo incrível. Apenas penso que teria sido ainda mais se eu houvesse conseguido reservar um tempo apenas para ele.
Esse livro precisa ser absorvido nos mínimos detalhes. Esse livro merece toda a sua atenção, confie em mim.
As qualidades que me levaram à conclusão em que cheguei e que podem ser atribuídas a esse livro, são infinitas. O Nome do Vento tem um ritmo perfeito, contendo a incrível e rara habilidade de não te deixar cair no tédio em momento algum. Não temos cenas de aventura, atos heróicos e cenas de ação presentes em todas as páginas do livro, não pense isso, mas uma incrível mistura entre esses e outros momentos divertidos, emocionantes, românticos e neutros.
Há também um fator muito importante que já citei aqui muito brevemente: a mágica habilidade do autor de te inserir nos acontecimentos e na história sem precisar te explicar como tudo acontece ou como tudo acabou sendo daquele jeito. Você vai sentir falta dessa breve explicação no início, vai se sentir perdido; mas chegará uma hora em que você mesmo se dará conta de que aquilo que você tanto almejava entender no começo, não era realmente necessário. Conforme a narrativa se desenvolve, você consegue ter todas as suas dúvidas respondidas e consegue mergulhar no mundo descrito e na história do personagem principal, Kvothe, de cabeça.
E por falar em Kvothe, outra característica de extrema importância para uma composição ótima do livro são seus personagens. É muito fácil se apegar a eles e é muito fácil conseguir sentir empatia, tanto pelo personagem principal, quanto por outros citados na narrativa. É claro, existe sempre a questão de que jamais saberemos o que realmente outro personagem pensa e sente quando temos uma história focada em apenas um deles, mas, apesar desse fator que considero comum em quase todos os livros, os personagens de O Nome do Vento foram muito bem construídos e inseridos na história, compondo a história do personagem principal de maneira subjetivamente importante.
Além disso, outra característica que me surpreendeu muito durante toda a minha leitura, foi o fato do autor conseguir utilizar a forma de escrita na primeira e segunda pessoa e separar o tempo presente do tempo passado de uma forma que torne muito simples você entender, se situar e conseguir deslocar sua imaginação para cada um desses momentos e formas de narrador. É muito interessante e ao mesmo tempo digno de admiração, pois nota-se um trabalho que necessitou de extrema dedicação e atenção, que obviamente não fora feito de qualquer maneira e que também não poderia ter sido feito por qualquer um.
A história de O Nome do Vento pode ser facilmente definida como cativante, envolvente e emocionante. Apesar da quantidade de páginas, é comum se sentir preso a história, preso ao ambiente narrado, preso aos momentos, aos personagens... é comum se sentir preso a basicamente tudo que acontece nessa história, mesmo depois de apenas dois parágrafos lidos. É intrigante de diversas maneiras e em uma intensidade que pode te fazer chegar ao ponto de ansiar pelo lançamento do terceiro livro sem nem mesmo ter lido o segundo, assim como aconteceu comigo.
Posso concluir então, dessa forma, que ao apanhar todas essas qualidades e juntá-las com a minha incrível experiência de leitura, posso dizer que considero O Nome do Vento um dos melhores livros de fantasia que já li; concorrendo fortemente com os de Harry Potter. Se você gosta de fantasia tanto quanto eu, não se importa com o número gigantesco de páginas e está sempre disposto a ler uma boa história, esse livro é indicado para você.
Patrick Rothfuss fez um incrível trabalho, digno de muita admiração e muitos aplausos de pé.

Capa
A arte da capa é tão incrível quanto o conteúdo. As cores, o cenário, a imagem explícita de bom conteúdo que ela transmite... tem tudo a ver com a história contada por Patrick, e considero-a uma das capas mais bonitas da minha estante.



Marcações
O Nome do Vento, além de tudo isso, também é recheado de algumas frases e momentos marcantes dignos de post-it. Segue abaixo algumas marcações que fiz durante minha leitura.


"A desconfiança transforma-se rapidamente em antipatia" 

"Quando crianças, raramente pensamos no futuro. Essa inocência nos deixa livres para nos divertirmos como poucos adultos conseguem. O dia em que nos inquietamos com o futuro é aquele em que deixamos a infância para trás." 

"Metade do sucesso de um artista itinerante está em saber para que lado se inclina a platéia." 

"- Espantoso, não é? - comentou Kvothe, dirigindo-se a eles em tom mordaz. - Cinco dedos e carne com sangue por baixo. Quase daria para crer que na outra ponta dessa mão há alguma espécie de pessoa." 

"Quem consegue encontrar alguém assim, alguém a quem abraçar e com quem fechar os olhos para o mundo, é uma pessoa de sorte." 

 "A maior faculdade que nossa mente possui é, talvez, a capacidade de lidar com a dor. O pensamento clássico nos ensinar sobre as quatro portas da mente, e cada um cruza de acordo com sua necessidade.
Primeiro, existe a porta do sono. O sono nos oferece uma retirada do mundo e de todo o sofrimento que há nele. Marca a passagem do tempo, dando-nos um distanciamento das coisas que nos magoaram. Quando uma pessoa é ferida, é comum ficar inconsciente. Do mesmo modo, quem ouve uma notícia dramática comumente tem uma vertigem ou desfalece. É a maneira de a mente se proteger da dor, cruzando a primeira porta.
Segundo, existe a porta do esquecimento. Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar, ou profundas demais para cicatrizar depressa. Além disso, muitas lembranças são simplesmente dolorosas e não há cura alguma a realizar. O provérbio 'O tempo cura todas as feridas' é falso. O tempo cura a maioria das feridas. As demais ficam escondidas atrás dessa porta. 
Terceiro, existe a porta da loucura. Há momentos em que a mente recebe um golpe tão violento que se esconde atrás da insanidade. Ainda que isso não pareça benéfico, é. Há ocasiões em que a realidade não é nada além do penar, e, para fugir desse penar, a mente precisa deixá-la para trás.
Por último, existe a porta da morte. O último recurso. Nada pode ferir-nos depois de morrermos, ou assim nos disseram."

"Até o melhor dos cães é capaz de morder, se for chutado o suficiente." 

 "- Mas todos somos criaturas de hábito. É mais fácil permanecer nas trilhas conhecidas que nós mesmos cavamos."

"O medo costuma provir da ignorância." 

"Os meninos espicham, as meninas crescem." 

"Há três coisas que todo homem sensato deve temer: o mar durante a borrasca, as noites sem lua e a ira de um homem gentil." 

"O orgulho é uma tolice, mas é uma força poderosa." 

"Falamos das pessoas de quem gostávamos na Universidade, mas passamos mais tempo pensando naquelas de quem não gostávamos, e por que, e no que faríamos a respeito delas se tivéssemos a oportunidade. Assim é a natureza humana."

"- Quando um não quer, dois não brigam." 

"- Somos mais do que as partes que nos formam" 

"- Então venha andando comigo.
- Seria um grande prazer. Mas... - Reduzi um pouco o passo e meu sorriso se fez numa expressão mais série. - E o Sovoy?
Os lábios de Denna se comprimiram.
- Ele lhe disse ter direitos sobre mim?
- Bem, não exatamente. Mas há certos protocolos envolvidos...
- Um acordo de cavalheiros? - perguntou ela, em tom mordaz.
- Está mais para honra entre ladrões, se você prefere.
Denna fitou-me nos olhos e disse, com ar sério:
- Kvothe, roube-me.
Curvei-me numa mesura e fiz um gesto largo para o mundo.
- Às suas ordens"

"Você me disse as tais palavras quando nos encontramos pela primeira vez. Disse: Estava pensando no que você faz aqui - comentou, fazendo um gesto irreverente. - Desde aquele momento tornei-me sua." 

"- Não é assim que a vida funciona? Queremos coisas doces, mas precisamos das desagradáveis" 

"- Poucas coisas são tão nauseantes quando a obediência cega." 

"- Continuo sem entender os nomes. 
- Eu lhe ensinarei a entendê-los - disse ele, descontraído. - A natureza dos nomes não pode ser descrita, apenas vivenciada e compreendida.
- Por que não pode ser descrita? Quando alguém compreende uma coisa, é capaz de descrevê-la.
- Você sabe descrever todas as coisas que compreende? - perguntou ele, olhando-me de soslaio.
- É claro.
Elodin apontou alguém na rua:
- De que cor é a camisa daquele menino?
- Azul.
- O que quer dizer com azul? Descreva-o.
Esforcei-me por um momento, não consegui.
- Então azul é um nome?
- É uma palavra. As palavras são pálidas sombras de nomes esquecidos. Assim como os nomes têm poder, as palavras têm poder. Elas podem acender fogueiras na mente dos homens. As palavras podem arrancar lágrimas dos corações mais empedernidos. Existem sete palavras que farão uma pessoa amá-lo. Existem 10 palavras que dobrarão a vontade de um homem forte. Mas uma palavra não passa de uma pintura do fogo. O nome é o fogo em si."

"Nós entendemos o quanto uma máscara pode ser perigosa. Todos nos transformamos naquilo que fingimos ser."

Nota:

Então é isso pessoal, espero que tenham gostado da resenha! Se gostaram, deixem o curtir lá em cima ao lado do título (não se esqueçam de confirmar) e comentem o que acharam!
Até mais!

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